Tempo de Maxibeleza

Ricardo Allexxandhry | estudante de publicidade e expert em padrões de beleza e comportamento | contato: ricardoallexxandhry@ig.com.br

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A LAJE É SEXY

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A laje se tornou um reduto de mulheres sexy e com trajes mínimos. Quando pensamos na laje, logo vem no imaginário popular a periferia ou as classes C e D. Laje é um termo genérico que representa tudo isso. Com a ascensão cultural e econômica dos moradores da periferia, vem também o papel feminino nesse cenário.

Aí é que vem a parte mais excitante da história.

Elas vêm no melhor estilo bombshell da laje. Ou seja, biquíni minúsculo, pele bronzeada, piscininha (ou baldinho mesmo!), muito sol e sensualidade. O clima de praia urbana tá instalado. Os homens ficam só de camarote vendo essas musas deitadas de bruços sob sol escaldante. O negócio fica feio quando a patroa pega o carinha no flagra observando a vizinha curtindo a laje. Nessas horas, vale dizer que estava ali apenas pra conferir as tendências de biquínis desse verão – o difícil é colar!

O que fazer então quando se esbarra com uma dessas nas ruas? O jeito é levar um beliscão da patroa pra ver aquele corpão desfilando de shortinho com brilho, top com franjas, unhas de cor vibrante, óculos coloridos, cabelo cacheado e aquele rebolado incrível que quase para pra fazer o quadradinho de oito no primeiro som de funk que cruza a rua. Um beliscão não é nada.

Claro que os marmanjos não vão notar o estilo ostentação delas, vão apenas imaginar aquele corpão totalmente despido. A verdade é que o estilo das garotas da periferia merece mais atenção, até mesmo por parte da grande mídia. Esse lifestyle já é visto em novelas e programas de TV – mas ainda não é o suficiente.

Outra coisa que dá orgulho de ver é a autoestima dessas mulheres que se vestem para causar. Mesmo com barriguinha saliente, flacidez ou qualquer outro “defeito”, elas não estão nem aí e querem mesmo é celebrar o Estilo Ném. O que significa nem aí para os padrões de beleza vigente ou até mesmo para aquilo que se considera vulgaridade. A figura da periguete vai na contramão desses valores preestabelecidos. Quentes como a estação de verão, elas fazem arder a imaginação e incendeiam tudo a sua volta.

Do mulherão de biquíni da laje às “novinhas” dançando funk no YouTube, o estilo sensual delas veio pra ficar. Um cenário perfeito para o tipo mulherão mostrar todos os seus atributos irresistíveis. Viva o estilo laje!

A CELEBRAÇÃO DA DIVERSIDADE

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Victoria Janashvili é uma das fotógrafas mais admiradas do movimento plus size. Ela divulgou mais um ensaio incrível que celebra a diversidade do corpo feminino. Na verdade, as fotos fazem parte de um livro de fotografia que ela pretende lançar através dos recursos arrecadados pelo site Kickstarter. Só espero que ela consiga concretizar esse projeto porque as imagens estão deslumbrantes – imagine o livro todo!

A russa Marina Bulatkina e a (lindíssima!) americana Denise Bidot protagonizam o ensaio divulgado na web. Elas aparecem parcial ou totalmente despidas nas fotos. A pintura corporal enfatizada no ensaio, dá um tom sóbrio e bastante significativo ao ensaio. A visão feminina da fotógrafa prioriza mais a beleza do corpo do que qualquer sensualidade simplória.

Ela se mostrou apaixonada pelo o que faz: “apesar do tamanho da americana comum ser 42, nossa sociedade continua a estabelecer estereótipos como padrões quando se trata da imagem real do corpo feminino. Esse é o motivo pelo qual eu passei anos da minha vida fazendo fotos de diferentes tipos de modelos e tomando parte de numerosas campanhas de ‘consciência da imagem corporal’ que se tornaram virais e suscitaram muitos debates. Através do meu livro, eu gostaria de continuar a espalhar essa missão e quebrar os estereótipos sociais, para que possamos ajudar as mulheres a se sentirem mais confiantes na própria pele”.

O mundo precisa de mais mulheres assim!

Quem ainda não conhece o trabalho dela, é só jogar no Google o nome dela e ver as imagens. Não à toa, muitas imagens já nasceram icônicas, o que comprova, assim, o talento irrefutável da fotógrafa. Abaixo, o link da campanha do livro dela. Vale a pena conferir as imagens e dá play no video que mostra os bastidores do ensaio.

Link do projeto: http://tinyurl.com/od6kaaj

O SEXO É O NOVO ROMANCE

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Achei legal um artigo publicado no portal FFW falando sobre a onda da sensualização a que passamos atualmente. O autor ficou com a impressão que o amor romântico, idealizado, impossível tá meio over, o negócio agora é sensualizar de vez. Ser (ou parecer) sexy é a nova atitude para chamar a atenção do outro. O arquétipo da Cinderela parece que não desperta mais fascínio; elas querem mesmo bancar a femme fatale.

A sensualidade já domina a moda, arte, livros e entretenimento. O sucesso de romances apimentados como CINQUENTA TONS DE CINZA e JULIETTE SOCIETY confirma essa tendência. O príncipe encantado agora curte fetichismo e explora novos prazeres com a sua companheira.

O mundo despertou de vez para o fetiche.

O artigo lembrou que os tops curtos eram encarados como vulgares, mas hoje domina o cenário urbano. A peça se tornou basicamente um novo clássico. O mesmo fenômeno ocorreu com o lifestyle pregado pelas academias: leggings e recortes ousados ganharam as ruas e todas agora querem posar de fit girl.

Claro que o corpo ocupa uma posição fundamental nessa nova abordagem. O tipo mulherão, com bumbum grande e curvas acentuadas, é o novo must have da mulherada. Só assim para explicar a profusão de selfies mostrando corpos em forma no Instagram. Sem falar da belfie (a foto do bumbum) que já domina o perfil de muitas usuárias.

O corpão virou extensão do look.

A própria Vogue decretou: “we’re officially in the era of the big booty”. Vivemos a década do bumbum grande e nada melhor do que fazer twerking para celebrar essa tendência. Nesse novo cenário, todos querem ser sexy e desejados o tempo todo – ainda que seja só por uma foto mais sensual postada no Instagram. O sexo é o novo romance.

O EFEITO KARDASHIAN

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Eu resolvi falar de novo da Kim Kardashian. Sim, porque fiquei indignado com a enxurrada de críticas à nudez dela. Então criaram uma norma que diz que uma socialite não pode mostrar o bumbum, é isso? Ou pior: mulher que tem bumbum grande não deve mostrá-lo? Eu sei que muita gente (especialmente puritanos e feministas ferozes) trata a nudez como se fosse algo inadmissível, ultrajante e até mesmo obsceno.

A nudez não é uma coisa obscena, e sim a vulgaridade.

As pessoas precisam parar de confundir as coisas. Não há uma centelha de vulgaridade na imagem de nu dela. O que vi, isso sim, foi uma mulher bonita mostrando o seu derrière avantajado. Se fosse o contrário, uma angel da Victoria’s Secret posando nua para uma campanha, todos aprovariam o “corpo perfeito” dela. O bumbum mínimo da angel seria idolatrado.

Mas Kim é rotulada de fútil, de celebridade vazia, ou até mesmo, um guilty pleasure. Pra quem não sabe, guilty pleasure é tudo aquilo de que temos vergonha de admitir que gostamos – um prazer inconfessável. A lista de prazeres proibidos é composta de certos filmes, programas, músicas e produtos. O bumbum grande deve fazer parte dessa lista.

Esse termo existe, mas eu não concordo com ele. E daí se eu gosto da Kim Kardashian? Acho que as pessoas são livres pra gostar do que bem entenderem. Chega de inventar culpa ou vergonha pra tudo!

Outra coisa importantíssima que foi deixado de lado pelas pessoas, é a mensagem política que um corpo nu carrega. As iranianas já ficaram nuas em prol de uma causa, as feministas do Femen, artistas, celebridades... o corpo é um campo de batalha.

 E aí, muita gente deve tá se perguntando: qual a mensagem do corpo nu de uma socialite “fútil”? Se os haters pensassem de maneira mais racional, iam entender, sobretudo, que o bumbum grande é um dos símbolos máximos da diversidade da beleza. Kim é uma peça importante desse movimento porque tem um inegável poder de influência.

Possivelmente, o que é de se espantar, pessoas ligadas ao movimento plus size também devem ter criticado a “pouca vergonha” do bumbum de fora dela. Alô, gordinha! Você também é rotulada de guilty pleasure. Menos culpa, por favor! 

MUSAS CURVILÍNEAS

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Na minha humilde opinião, o bumbum mais impactante do mainstream é o da Kim Kardashian. OK, pode não ser o maior (ou o mais bem esculpido), mas é o que tem mais capital midiático. A musa curvilínea é invencível. Kim é o exemplo máximo da celebridade com curvas, com exuberância. Melhor ainda: ela é bem resolvida com o seu bumbum avantajado – por isso, vez ou outra, tá tirando fotos dele.

Já tô na expectativa pelo livro de selfies que ela vai lançar!

Mas Nicki Minaj não fica tão longe assim dessa categoria. Recentemente se tornou meme em razão da capa de seu single em que aparece apenas de fio dental. A imagem provocativa já virou um ícone instantâneo. Se a capa do single é assim, o que dizer então do clipe da música? O clipe de Anaconda é uma explosão de sensualidade e muito ass worship. A imagem acima é um frame do clipe.

Nicki é lindíssima, é sensual – é hot!

Aproveitando a vibe das bootylicious, chegou a vez de Jennifer Lopez e Iggy Azalea mostrarem que também têm muita exuberância pra mostrar. O resultado? Mais uma capa de single do tipo “quero ter esse corpão pra ontem!”; ou, no caso dos homens – “ô, lá em casa!”

Se jennifer Lopez já é demais, imagine então dividindo a cena com a ultrassexy Iggy Azalea! O corpão da Iggy é tão atraente que fica difícil descrevê-lo inteiramente. Por isso, vou apelar para a retórica: desculpe-me as feias, mas Iggy é fundamental. Abaixo, o link da imagem das musas curvilíneas na capa do single. Ah, o nome da música chama-se booty. Preciso dizer mais alguma coisa?

O fato é que o bumbum grande tá em alta nos EUA – e ainda dizem que o Brasil é o país do bundalelê. Pode até ser, mas precisa dividir o reinado com o norte. A mensagem que essas celebridades estão dando é bem clara: bumbum grande não é sinal de gordice, mas de gostosura. É certo que elas não se encaixam no padrão de beleza vigente, mas não vão deixar de ser felizes e bem resolvidas com a autoimagem. Elas não sambam, mas fazem twerking na cara da sociedade.

Link da imagem: http://tinyurl.com/mxnnlyg

POR UMA BELEZA MAIS REAL

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Quando o assunto é diversidade, eu já notei, especificamente dentro do movimento plus size, um vício por termos poéticos, idealistas ou qualquer coisa que passe longe do corpo real. Dá a impressão que falar do corpo é uma tarefa difícil ou até mesmo incompreensível. Dessa maneira, se instala um verdadeiro festival de equívocos: todo mundo é bonito, toda mulher é curvilínea e padrão de beleza é uma criação da mídia opressora com o propósito de destruir a sua autoestima. Sim, muitos pensam – e pregam isso por aí.

Eu já tinha comentado aqui que padrão de beleza é um fenômeno que passa por épocas e culturas diferentes. Portanto, não é invenção da mídia como muitos alarmistas acham. Não tenha dúvida que se o ideal de beleza do século XX fosse a mulher gordinha, obviamente a mídia apoiaria a causa. Agora mesmo podemos testemunhar a ascensão do padrão fitness e, naturalmente, esse assunto vai ganhar ainda mais destaque nos meios de comunicação. O que estou querendo dizer é que devemos abandonar o “basta fechar os olhos e deixar a autoestima operar milagres” para um melhor entendimento dos biotipos e o que cada um tem de melhor. Assim, a bandeira da diversidade deixa de lado o corpo idealizado e abraça o real.

Não devemos jogar o conceito de beleza no campo utópico só pra agradar aqueles que não têm. Caso contrário, a beleza vai entrar em rota de colisão com a saúde e o bom-senso. Não à toa, muitos acham que o movimento plus size não passa de apologia descarada da obesidade. Não é, mas os idealistas se mostram perdidos nesse assunto. Eu sou o primeiro a dizer que a gordinha da foto que ilustra esse texto é lindíssima, mas aponto cada centímetro de gostosura pra fundamentar a minha opinião. Pra ser mais claro: mais corpo, menos poesia. Agora, se a linguagem poética é o forte de muita gente, talvez um romance sobre o tema seja mais viável. Vai que dá um best-seller!

ESTRELAS DO CALENDÁRIO

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Duas notícias foram destaques no cenário plus size: a campanha da Duloren estrelada pela gordinha Mayara Russi e o calendário de uma marca de beachwear com várias modelos cheinhas em trajes de banho. Vou começar minha análise com a campanha da Duloren. A marca lançou uma linha de lingerie tamanho grande inspirada na seleção brasileira. Péssimo tema, mas boa oportunidade comercial. Mais uma vez a marca contratou a célebre Mayara Russi para estrelar uma campanha para o público plus size. O problema, na minha opinião, é que nada funcionou na imagem do anúncio: a posição da modelo, o cenário, o clima nada sexy e a própria Mayara.

Ela tem um rosto lindo, e só. Não tem curvas, não tem sex appeal. Enfim, não conseguiu atingir a proposta do anúncio de esbanjar ousadia e sensualidade. A marca deveria ter escolhido uma modelo plus size mais conveniente para a campanha. Ah, e antes que alguém venha me acusar de promover a “ditadura das curvas”, eu explico: MODELO precisa ter curvas, sim. Eu disse mo-de-lo. Mulher comum é outro assunto. Não concordo com o ideal utópico de beleza que muitos pregam por aí. A beleza sem critério torna-se vazia.

Já o calendário da marca de beachwear Swimsuitsforall acertou em cheio na sua reimaginação da edição de aniversário da revista Sports Illustrated. A famosa edição em que as modelos aparecem em trajes de banho. Até o tema do calendário ficou show: sexy at every curve. Ou seja, sexy em cada curva. A palavra CURVA traz mais significados positivos do que forma. Entre as quatro modelos que estrelam o calendário, está a top Robyn Lawley. Ela é aquela que não é plus size mas o mercado insiste em colocá-la na categoria “tamanho grande”. Como já falei anteriormente, o mercado precisa criar o meio termo urgente. Pra finalizar, o texto foi ilustrado apenas por uma imagem do belíssimo calendário, porém, abaixo está o link com todas as fotos. Enjoy!

Link das fotos: http://tinyurl.com/nzusxmp

ENTRE UM BELFIE E OUTRO

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Mas é claro que eu não poderia deixar de falar do fenômeno dos belfies. Belfie é a junção das palavras butt (bumbum) e selfie. Ou seja, a foto do bumbum. O belfie é a nova tendência das redes sociais e, celebridades como Kim Kardashian e Nicki Minaj, já aderiram ao movimento. Aliás, o belfie de Kim Kardashian já se tornou uma imagem icônica (foto). Na imagem, ela usou um sensualíssimo maiô branco que evidenciou ainda mais o seu incrível bumbum. Kim é um símbolo máximo do derrière avantajado que tá ganhando grande repercussão nos EUA. O bumbum dela tem um poder midiático tão forte que até o Miss Bumbum Brasil cogitou convidá-la para participar do evento. Minha torcida, claro, ia pra Kim já que a maioria das candidatas ostentam o biotipo atlético. Eu prefiro o selo Kardashian de exuberância.

Vale lembrar que os selfies já ganharam inúmeras versões: o healthie é a tão cultuada (e sem graça) foto na academia ou fazendo poses de ioga. Modalidade esta que já se tornou o lifestyle absoluto de muita gente. Mas sem dúvida, o belfie é o melhor de todos – isso quando as fit girls não roubam a cena. Digo isso porque muita gente acha que o potencial do bumbum só acontece quando ele tá “em forma” ou saradíssimo. Não mesmo.

Outra coisa chata que temos que enfrentar é o discurso moralista e intelectualóide sobre os belfies. Pra essa turma, esse fenômeno é mais um atestado da futilidade a que chegamos. Ah, sei, então os antigos gregos também eram fúteis já que adoravam as curvas de uma calipígia. Tirando os chatos de cena, o belfie deixa uma lição sobre amar o corpo e elevar a autoestima das mulheres. E, pra isso, nada melhor do que um bom belfie no Instagram. Em tempo, uma pesquisa mostrou que a preocupação com o bumbum aumentou desde o fenômeno dos belfies. Assim, muitas se inspiram nas celebridades e procuram dar um upgrade na região glútea. Eu, um bundólatra confesso, tô adorando essa superexposição do bumbum feminino. Já diz o bordão: o que é bonito é pra se mostrar.

AGORA É QUE SÃO ELAS

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O documentário A PERFECT 14 aborda o movimento plus size e seus desdobramentos no meio social e midiático. Vale lembrar que o tamnho 14 é o 46 aqui no Brasil. O documentário é estrelado por três modelos plus size que, por sua vez, falam sobre suas histórias e desafios diante do padrão de beleza vigente. Esse movimento, como já sabemos, faz uma ruptura necessária com o ideal de beleza imposto pela moda e sociedade. Nisso, o documentário abre espaço para o debate da diversidade da beleza e seu reflexo na atualidade. Diversidade sempre é bem vinda.

Elly Mayday é uma das modelos que estrelam o projeto. Sem dúvida, a mais curvilínea das três. Ela teve um contrato interrompido com uma grande agência por causa de uma descoberta trágica: um raro câncer de ovário. Por isso, enfrentou um tratamento que tornava seu peso instável e a consequente perda de cabelo. Um episódio triste que a gente espera que passe logo. Já Kerosene Deluxe revelou que teve uma infância traumatizante até se tornar atualmente uma porta-voz contra o bullying e a gordofobia. E finalmente temos Laura Wells. O rosto – e corpão! – mais famoso do documentário. A modelo australiana já é top no universo plus size. No entanto, ela e Robyn Lawley, são duas modelos australianas lindíssimas que não têm nada a ver com o biotipo das gordinhas. Elas são criticadas inúmeras vezes por não pertencer a “nenhum” padrão de beleza conhecido e, assim, jogadas no limbo do mercado. Eu já falei sobre essa polêmica em textos anteriores e, vez ou outra, volto a falar sobre isso de novo.

O documentário ainda não está pronto e precisa da colaboração do público para levantar fundos para a pós-produção. Abaixo, deixo o link da página do projeto (e vejam o trailer lá) para os interessados pela obra. O documentário é uma boa iniciativa para tratar questões como a percepção da imagem corporal, a falta da diversidade em revistas e campanhas e, sobretudo, a definição apropriada do termo plus size. Vamos aguardar então.

Link do projeto: https://www.indiegogo.com/projects/a-perfect-14

MULHERES CONTRA O PRECONCEITO

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A reação ao resultado de uma pesquisa nacional sobre estupro tomou conta das redes sociais. Uma reação compreensível. Na pesquisa, 65% dos participantes responderam que mulher que usa roupa curta merece ser atacada. Pior: mais da metade dos entrevistados eram mulheres! Sim, parece surreal. A revelação dessa pesquisa foi tão bombástica que muitos contestam a metodologia utilizada pelo IPEA. Polêmicas à parte, difícil tolerar a mentalidade misógina e preconceituosa que vemos no dia a dia.

Em resposta, a jornalista Nana Queiroz criou a campanha bem-sucedida eu não mereço ser estuprada, atraindo, assim, a adesão de pessoas revoltadas com esse caso. Até as editoras da revista NOVA tiraram a roupa e apoiaram a causa (foto). Muitos homens indignados também levantaram a bandeira da vítima (mulher) em detrimento do agressor (estuprador). Eu não divulguei uma foto para a causa (não sou fotogênico!), mas deixo este meu texto em solidariedade às mulheres que lutam contra o preconceito e a discriminação.

A vida das mulheres não tá fácil: depois de casos recentes do “pornô de vingança”, dos encoxadores; agora, como se não bastasse, elas têm que enfrentar o pensamento de que elas próprias são responsáveis por sofrerem abusos sexuais. Quem manda elas serem tão atraentes né? Enquanto na Arábia Saudita, a controvérsia gira em torno do make delas; aqui, num país democrático, são as roupas “provocativas” que estimulam o assédio. Não, nada disso é justificável. Vamos dá um basta na cultura machista de uma vez.

POLÊMICAS DE ESTADO

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A polêmica em torno da imagem da mulher brasileira se instalou de novo. Tudo porque a Adidas lançou uma linha de camisas com o tema da Copa do Mundo. O governo brasileiro repudiou as camisas com (suposta) conotação sexual. E foi além: as camisas faziam analogia ao turismo sexual. What? Pois é, mulher brasileira com biquíni não pode. Eles viram na frase Looking To Score, um trocadilho maldoso sobre fazer gols e pegar mulheres. Os burocratas temem que os estrangeiros venham pra cá mais interessados nos bumbuns do que no futebol. Nesse caso, eu fico com o bumbum mesmo! Em contrapartida, o governo divulgou o símbolo nacional que ele julga ser o mais certinho: uma baiana em trajes típicos com a frase We Love Brazil. Só trocaram uma figura icônica por outra.

Pra mim, a questão é outra: de novo estamos diante do velho debate sensualidade vs. vulgaridade. Eu concordaria que fosse de mau gosto se as camisas mostrassem a figura feminina em poses provocativas ou sugestivas. Não é o caso. Afinal, qual o problema com uma mulher com biquíni? Nenhum, já que as brasileiras adoram moda praia e desfilar os seus atributos por aí. Sem contar que a marquinha de fio dental é um sinal de status entre as mulheres daqui. Aqui, o corpo feminino é cultuado, sim,  e isso não deve ser encarado como um problema. Os puristas piram!

No caso das camisas, o mais conveniente mesmo seria estampar a figura de uma passista. Aí sim, um símbolo cultural já consolidado lá fora. Ainda assim, o mimimi do governo cairia em cima da erotização da mulata. Muitas mulatas vão sambar no exterior para promover a cultura brasileira – e tirar o fôlego dos gringos! Se muitos enxergam nela apenas uma figura erótica, aí já é algo pessoal. Não dá pra negar que são símbolos sensuais, mas o mais importante é a maneira que são retratados. Tudo vai bem quando não há vulgaridade.

A MÍDIA E OS OUTROS PADRÕES DE BELEZA

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O texto da imagem acima, diz: “deixe o seu problema de peso aqui”. Como se o problema todo fosse apenas as revistas que pregam um determinado biotipo. Os radicais vão além: responsabilizam toda a mídia pela infelicidade causada às mulheres que não se enquadram no tipo magra-saudável-feliz. Será que os críticos estão certos quando apontam a mídia como a única vilã de toda essa história? Não. A história é mais abrangente do que eles pensam. Eu, particularmente, sempre achei esse negócio de atacar a mída algo meramente ideológico. Nunca caí nessa.

A verdade é que sempre houve padrões de beleza. O corpo perfeito já era idealizado muito antes do surgimento da grande mídia e sua abordagem comercial do assunto. Os antigos gregos apontavam a Vênus Calipígia como o grande ideal de beleza feminina. Só pra constar: calipígia significa “belas nádegas”. Sim, os gregos adoravam um bumbum atraente bem antes dos brasileiros. O que dizer então das gordinhas sensuais do pintor Peter Paul Rubens? No século XVII, as gordinhas eram retratadas como símbolos da alta sociedade e da aparência saudável. Nesse tempo, não existia a patrulha politicamente correta para acusar Rubens de promover a obesidade e muito menos pessoas pra defender a causa plus size.

Foi apenas no século XX que as mulheres magras surgiram como exemplos de emancipação financeira e ícones de beleza. Portanto, os padrões de beleza precederam a mídia – pelo menos a mída como entendemos hoje. Nesse momento está surgindo um novo ideal de beleza que nasceu dos excessos de musculação nas academias. Agora todas querem ter a barriga negativa pra exibir no Instagram. A chamada “magreza musculosa” é a versão reformulada (e anabolizada!) da Top Model magérrima que a academia adotou e que, agora, influencia os meios de comunicação e a autoestima das mulheres. Cedo ou tarde, esse vai ser o novo padrão de beleza adotado pela mída porque essa tendência já está consolidada. Então sair por aí culpando a mídia pelos transtornos causados na autoimagem é bobagem. Não existe mais comunicação unilateral: a gente influencia a mída e vice-versa. O X da questão somos nós.