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Ricardo Allexxandhry | estudante de publicidade e expert em padrões de beleza e comportamento | contato: ricardoallexxandhry@ig.com.br

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A CELEBRAÇÃO DA DIVERSIDADE

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Victoria Janashvili é uma das fotógrafas mais admiradas do movimento plus size. Ela divulgou mais um ensaio incrível que celebra a diversidade do corpo feminino. Na verdade, as fotos fazem parte de um livro de fotografia que ela pretende lançar através dos recursos arrecadados pelo site Kickstarter. Só espero que ela consiga concretizar esse projeto porque as imagens estão deslumbrantes – imagine o livro todo!

A russa Marina Bulatkina e a (lindíssima!) americana Denise Bidot protagonizam o ensaio divulgado na web. Elas aparecem parcial ou totalmente despidas nas fotos. A pintura corporal enfatizada no ensaio, dá um tom sóbrio e bastante significativo ao ensaio. A visão feminina da fotógrafa prioriza mais a beleza do corpo do que qualquer sensualidade simplória.

Ela se mostrou apaixonada pelo o que faz: “apesar do tamanho da americana comum ser 42, nossa sociedade continua a estabelecer estereótipos como padrões quando se trata da imagem real do corpo feminino. Esse é o motivo pelo qual eu passei anos da minha vida fazendo fotos de diferentes tipos de modelos e tomando parte de numerosas campanhas de ‘consciência da imagem corporal’ que se tornaram virais e suscitaram muitos debates. Através do meu livro, eu gostaria de continuar a espalhar essa missão e quebrar os estereótipos sociais, para que possamos ajudar as mulheres a se sentirem mais confiantes na própria pele”.

O mundo precisa de mais mulheres assim!

Quem ainda não conhece o trabalho dela, é só jogar no Google o nome dela e ver as imagens. Não à toa, muitas imagens já nasceram icônicas, o que comprova, assim, o talento irrefutável da fotógrafa. Abaixo, o link da campanha do livro dela. Vale a pena conferir as imagens e dá play no video que mostra os bastidores do ensaio.

Link do projeto: http://tinyurl.com/od6kaaj

O EFEITO KARDASHIAN

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Eu resolvi falar de novo da Kim Kardashian. Sim, porque fiquei indignado com a enxurrada de críticas à nudez dela. Então criaram uma norma que diz que uma socialite não pode mostrar o bumbum, é isso? Ou pior: mulher que tem bumbum grande não deve mostrá-lo? Eu sei que muita gente (especialmente puritanos e feministas ferozes) trata a nudez como se fosse algo inadmissível, ultrajante e até mesmo obsceno.

A nudez não é uma coisa obscena, e sim a vulgaridade.

As pessoas precisam parar de confundir as coisas. Não há uma centelha de vulgaridade na imagem de nu dela. O que vi, isso sim, foi uma mulher bonita mostrando o seu derrière avantajado. Se fosse o contrário, uma angel da Victoria’s Secret posando nua para uma campanha, todos aprovariam o “corpo perfeito” dela. O bumbum mínimo da angel seria idolatrado.

Mas Kim é rotulada de fútil, de celebridade vazia, ou até mesmo, um guilty pleasure. Pra quem não sabe, guilty pleasure é tudo aquilo de que temos vergonha de admitir que gostamos – um prazer inconfessável. A lista de prazeres proibidos é composta de certos filmes, programas, músicas e produtos. O bumbum grande deve fazer parte dessa lista.

Esse termo existe, mas eu não concordo com ele. E daí se eu gosto da Kim Kardashian? Acho que as pessoas são livres pra gostar do que bem entenderem. Chega de inventar culpa ou vergonha pra tudo!

Outra coisa importantíssima que foi deixado de lado pelas pessoas, é a mensagem política que um corpo nu carrega. As iranianas já ficaram nuas em prol de uma causa, as feministas do Femen, artistas, celebridades... o corpo é um campo de batalha.

 E aí, muita gente deve tá se perguntando: qual a mensagem do corpo nu de uma socialite “fútil”? Se os haters pensassem de maneira mais racional, iam entender, sobretudo, que o bumbum grande é um dos símbolos máximos da diversidade da beleza. Kim é uma peça importante desse movimento porque tem um inegável poder de influência.

Possivelmente, o que é de se espantar, pessoas ligadas ao movimento plus size também devem ter criticado a “pouca vergonha” do bumbum de fora dela. Alô, gordinha! Você também é rotulada de guilty pleasure. Menos culpa, por favor! 

POR UMA BELEZA MAIS REAL

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Quando o assunto é diversidade, eu já notei, especificamente dentro do movimento plus size, um vício por termos poéticos, idealistas ou qualquer coisa que passe longe do corpo real. Dá a impressão que falar do corpo é uma tarefa difícil ou até mesmo incompreensível. Dessa maneira, se instala um verdadeiro festival de equívocos: todo mundo é bonito, toda mulher é curvilínea e padrão de beleza é uma criação da mídia opressora com o propósito de destruir a sua autoestima. Sim, muitos pensam – e pregam isso por aí.

Eu já tinha comentado aqui que padrão de beleza é um fenômeno que passa por épocas e culturas diferentes. Portanto, não é invenção da mídia como muitos alarmistas acham. Não tenha dúvida que se o ideal de beleza do século XX fosse a mulher gordinha, obviamente a mídia apoiaria a causa. Agora mesmo podemos testemunhar a ascensão do padrão fitness e, naturalmente, esse assunto vai ganhar ainda mais destaque nos meios de comunicação. O que estou querendo dizer é que devemos abandonar o “basta fechar os olhos e deixar a autoestima operar milagres” para um melhor entendimento dos biotipos e o que cada um tem de melhor. Assim, a bandeira da diversidade deixa de lado o corpo idealizado e abraça o real.

Não devemos jogar o conceito de beleza no campo utópico só pra agradar aqueles que não têm. Caso contrário, a beleza vai entrar em rota de colisão com a saúde e o bom-senso. Não à toa, muitos acham que o movimento plus size não passa de apologia descarada da obesidade. Não é, mas os idealistas se mostram perdidos nesse assunto. Eu sou o primeiro a dizer que a gordinha da foto que ilustra esse texto é lindíssima, mas aponto cada centímetro de gostosura pra fundamentar a minha opinião. Pra ser mais claro: mais corpo, menos poesia. Agora, se a linguagem poética é o forte de muita gente, talvez um romance sobre o tema seja mais viável. Vai que dá um best-seller!

AGORA É QUE SÃO ELAS

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O documentário A PERFECT 14 aborda o movimento plus size e seus desdobramentos no meio social e midiático. Vale lembrar que o tamnho 14 é o 46 aqui no Brasil. O documentário é estrelado por três modelos plus size que, por sua vez, falam sobre suas histórias e desafios diante do padrão de beleza vigente. Esse movimento, como já sabemos, faz uma ruptura necessária com o ideal de beleza imposto pela moda e sociedade. Nisso, o documentário abre espaço para o debate da diversidade da beleza e seu reflexo na atualidade. Diversidade sempre é bem vinda.

Elly Mayday é uma das modelos que estrelam o projeto. Sem dúvida, a mais curvilínea das três. Ela teve um contrato interrompido com uma grande agência por causa de uma descoberta trágica: um raro câncer de ovário. Por isso, enfrentou um tratamento que tornava seu peso instável e a consequente perda de cabelo. Um episódio triste que a gente espera que passe logo. Já Kerosene Deluxe revelou que teve uma infância traumatizante até se tornar atualmente uma porta-voz contra o bullying e a gordofobia. E finalmente temos Laura Wells. O rosto – e corpão! – mais famoso do documentário. A modelo australiana já é top no universo plus size. No entanto, ela e Robyn Lawley, são duas modelos australianas lindíssimas que não têm nada a ver com o biotipo das gordinhas. Elas são criticadas inúmeras vezes por não pertencer a “nenhum” padrão de beleza conhecido e, assim, jogadas no limbo do mercado. Eu já falei sobre essa polêmica em textos anteriores e, vez ou outra, volto a falar sobre isso de novo.

O documentário ainda não está pronto e precisa da colaboração do público para levantar fundos para a pós-produção. Abaixo, deixo o link da página do projeto (e vejam o trailer lá) para os interessados pela obra. O documentário é uma boa iniciativa para tratar questões como a percepção da imagem corporal, a falta da diversidade em revistas e campanhas e, sobretudo, a definição apropriada do termo plus size. Vamos aguardar então.

Link do projeto: https://www.indiegogo.com/projects/a-perfect-14

UMA RIVAL PARA A BARBIE

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O artista Nickolay Lamm resolveu criar a boneca Lammily com medidas mais realistas. Ela é baseada nas medidas padrão de uma jovem americana de 19 anos. A boneca tem make e roupas mais discretas do que a glamourosa Barbie. Eu aprovei a boneca. O corpo dela é bem mais exuberante e tem uma aparência mais parecida com a mulher comum. Mas a tarefa de conquistar o grande público não vai ser fácil pra ela: a Barbie já faz parte da cultura pop e está enraizada no imaginário feminino. Lammily tem um visual agradável, mas falta muito glitter pra conquistar a fama e o carisma da outra.

Lammily foi criada como resposta às medidas irreais da Barbie, considerada magra demais e criticada pela influência negativa na idealização de um corpo impossível de ser atingido. Em tempo, a própria Mattel, fabricante de Barbie, se defende dizendo que sua boneca é feita pra ser fácil de ser manuseada, não pra ser realista. Não conheço o real impacto que isso tem na mentalidade de meninas que têm a Barbie como ideal de beleza, ou ainda na formação de estereótipos femininos. Acho, sim, que existe um certo exagero da parte dos críticos em tratar tudo sob o viés do politicamente correto. Até a própria Lammily deve desagradar as feministas mais radicais.

O fato é que Lammily é mais um capítulo na propagação da diversidade da beleza. Assim, as meninas podem brincar com as duas. De um lado, uma mais magra, do outro, uma mais cheinha. Só não vale colocar as duas em disputa pelo posto de “a mais bela do mundo”. Ou pior: no momento da discussão, com as bonecas em punho, proferir xingamentos do tipo, “gorda”, de um lado, “magrela”, do outro. Aí vira uma brincadeira sem graça onde as duas saem perdendo. Daí o valor da diversidade.