Tempo de Maxibeleza

Ricardo Allexxandhry | estudante de publicidade e expert em padrões de beleza e comportamento | contato: ricardoallexxandhry@ig.com.br

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BEIJINHO NO QUADRIL

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Eu sou fascinado por gordinhas, e não escondo isso de ninguém. Mas mais precisamente pelas gordinhas do tipo pera. Elas são demais. Eu me lembro perfeitamente do impacto que tive quando vi pela primeira vez a Renata Celidonio na TV. Lembram-se dela né? Renata fez a Marieta na novela AQUELE BEIJO. Eu já escrevi sobre ela no blog.

Os quadris enormes dela me encantaram. Claro que eu já gostava daquele biotipo antes, mas ainda não tinha visto uma daquela no horário nobre da TV brasileira. Foi quase surreal. Não há dúvidas de que aquela silhueta é do tipo ame-ou-odeie. Eu amei muito!

Depois da novela, o encanto acabou: ela fez cirurgia, perdeu (muuuito!) peso e se dedicou ao teatro. A atual silhueta dela, porém, não desperta mais fascínio. O mundo perdeu aquela que um dia chamei de “a Vênus de 150 cm de quadris”.

Mas logo depois, surgiu outro exemplo icônico do tipo pera: Cleide Cavalcante. Cleide desfilou seus quadris exuberantes no FWPS, de 2013, e inevitavelmente foi destaque internacional. Ela ficou conhecida até nos sites e tumblrs fetichistas mundo afora. Sim, existe muita gente fazendo discurso odioso contra esse biotipo, mas muitos defendendo também.

Eu apoio a beleza exuberante de tipos como a Cleide.

Em suma, quadris largos é sinônimo de feminilidade extrema, daí a razão de tanto fascínio. Outro episódio que me deixou profundamente impactado foi o video que Mariesther Venegas fez para a marca Navabi. No video, ela caminha seminua pelas ruas de Berlim em plena temporada de fashion week. Quando eu vi a cena, logo decretei: o video mais impactante do movimento plus size até então. Nada mais eficiente como um tipo pera para derrubar as convenções de beleza. Aindão não viu? Vá depressa para o YouTube.

Agora olhe para a foto da modelo anônima acima. Existe alguma coisa de errado com o corpo dela? Não. Errado, portanto, é não amar tudo isso! Por favor, alguém passe o meu número pra ela. 

CORPO EM EVIDÊNCIA

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O ENGAJAMENTO das blogueiras fitness é surpreendente: livros lançados, dietas específicas e exibição constante do corpo no Instagram. Essa última parte é o exemplo máximo de que elas não brincam com os seus ideais. Mas infelizmente o movimento plus size está longe de alcançar esse pragmatismo. Enquanto o padrão fitness mostra as ostentações relacionadas ao corpo de suas seguidoras; o universo plus size, por sua vez, tem um discurso fraco, apoiado no idealismo e numa linguagem distante do corpo real. Vale lembrar que não estou generalizando.

Nesse cenário de contrastes, nota-se uma disputa sem fim entre fisicalidade e idealismo. As saradíssimas se utilizam da FISICALIDADE para exprimir os seus valores que são traduzidos em corpos atléticos, treinos pesados e exibição constante do seu lifestyle. Uma verdadeira lição de engajamento naquelas que acreditam que beleza é apenas um estado de espírito. Não é. Essa confusão de termos só faz perder espaço para as fit girls que não perdem a chance de ostentar o CORPO nas redes sociais. Não estou querendo dizer que se deve seguir o perfil anabolizado das academias – isso jamais! Mas, sim, aprender as táticas de engajamento delas. O corpo como valor tangível.

O mais irônico, portanto, é que o movimento plus size ganhou notoriedade com a pregação da diversidade, mas agora tá vendo as saradas roubarem a cena. Não podemos deixar assim. É preciso difundir a ideia de que o excesso de gostosura é o máximo. Precisamos mostrar mais a maxibeleza nas redes sociais, no Instagram e em qualquer lugar. Temos que mostrar o verdadeiro valor das curvas, da exuberância. A atitude de uma gordinha (ou mulherão) que tira uma foto do corpo porque se aceita assim mesmo, é sinal de que é bem resolvida e um bom exemplo para as demais. Diz-se que a beleza não se mede em números, mas, às vezes, os números são mais sinceros do que qualquer discurso surrado. Em tempo de superexposição da imagem, o corpo tem um papel fundamental na propagação de valores.

A CRISE DO MANEQUIM 44

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Muitas consumidoras que vestem o tamanho 44 estão encontrando dificuldades para encontrar essa numeração nas lojas. Nas varejistas tradicionais, o 44 é encarado como grande; nas grifes plus size, porém, é visto como pequeno demais. Ou seja: o manequim 44 encontra-se no limbo do mercado. Por isso, as mulheres que vestem 44 estão em crise de identidade e ainda sofrem preconceito por parte das gordinhas. Sim, isso existe. As gordinhas acabam reforçando velhos estereótipos de uma mulher com sobrepeso: barriga saliente, cintura indefinida, celulite e estrias demasiadas. No entanto, o que caracteriza uma gordinha no MERCADO não é a silhueta, mas o manequim que ela usa.

E como se não bastasse, as mulheres que vestem 44 ainda recebem uma saraivada de críticas relacionadas ao peso. As magras pensam que se o corpo de quem veste 44 é mediano, então basta fazer dietas e exercícios para emagrecer. Realmente o universo parece conspirar contra elas: de um lado, “magra” demais para as gordinhas; por outro, “gorda” demais para as magrinhas. Afinal, como resolver esse impasse?

Na minha opinião, é preciso estabelecer de vez no mercado o tipo MULHERÃO. O termo mulherão já é usado constantemente pela mídia e público, mas o seu posicionamento ainda é incerto. Mulherão é o meio termo – em outras palavras, é o biotipo que encontra-se entre uma magrinha e uma gordinha. Não se trata, portanto, de criar mais um rótulo no mercado como muita gente pensa. O corpo feminino divide-se em três categorias: magra, mulherão e gordinha. O que causa confusão é que o mulherão também veste “tamanho grande”(42, 44), mas não é gordinha. Ela tem curvas acentuadas, é voluptuosa, por isso é lançada no segmento plus size. Algumas gordinhas também são curvilíneas, mas têm manequins e pesos diferentes. Posso usar aqui um exemplo emblemático: Kim Kardashian. Como sabemos, ela não é magrinha e nem gordinha, ela é... mulherão. E que mulherão! Em suma, a crise do manequim 44, também é a crise do mulherão e precisamos resolver essa situação o mais rápido possível.

POR UMA BELEZA MAIS REAL

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Quando o assunto é diversidade, eu já notei, especificamente dentro do movimento plus size, um vício por termos poéticos, idealistas ou qualquer coisa que passe longe do corpo real. Dá a impressão que falar do corpo é uma tarefa difícil ou até mesmo incompreensível. Dessa maneira, se instala um verdadeiro festival de equívocos: todo mundo é bonito, toda mulher é curvilínea e padrão de beleza é uma criação da mídia opressora com o propósito de destruir a sua autoestima. Sim, muitos pensam – e pregam isso por aí.

Eu já tinha comentado aqui que padrão de beleza é um fenômeno que passa por épocas e culturas diferentes. Portanto, não é invenção da mídia como muitos alarmistas acham. Não tenha dúvida que se o ideal de beleza do século XX fosse a mulher gordinha, obviamente a mídia apoiaria a causa. Agora mesmo podemos testemunhar a ascensão do padrão fitness e, naturalmente, esse assunto vai ganhar ainda mais destaque nos meios de comunicação. O que estou querendo dizer é que devemos abandonar o “basta fechar os olhos e deixar a autoestima operar milagres” para um melhor entendimento dos biotipos e o que cada um tem de melhor. Assim, a bandeira da diversidade deixa de lado o corpo idealizado e abraça o real.

Não devemos jogar o conceito de beleza no campo utópico só pra agradar aqueles que não têm. Caso contrário, a beleza vai entrar em rota de colisão com a saúde e o bom-senso. Não à toa, muitos acham que o movimento plus size não passa de apologia descarada da obesidade. Não é, mas os idealistas se mostram perdidos nesse assunto. Eu sou o primeiro a dizer que a gordinha da foto que ilustra esse texto é lindíssima, mas aponto cada centímetro de gostosura pra fundamentar a minha opinião. Pra ser mais claro: mais corpo, menos poesia. Agora, se a linguagem poética é o forte de muita gente, talvez um romance sobre o tema seja mais viável. Vai que dá um best-seller!

ESTRELAS DO CALENDÁRIO

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Duas notícias foram destaques no cenário plus size: a campanha da Duloren estrelada pela gordinha Mayara Russi e o calendário de uma marca de beachwear com várias modelos cheinhas em trajes de banho. Vou começar minha análise com a campanha da Duloren. A marca lançou uma linha de lingerie tamanho grande inspirada na seleção brasileira. Péssimo tema, mas boa oportunidade comercial. Mais uma vez a marca contratou a célebre Mayara Russi para estrelar uma campanha para o público plus size. O problema, na minha opinião, é que nada funcionou na imagem do anúncio: a posição da modelo, o cenário, o clima nada sexy e a própria Mayara.

Ela tem um rosto lindo, e só. Não tem curvas, não tem sex appeal. Enfim, não conseguiu atingir a proposta do anúncio de esbanjar ousadia e sensualidade. A marca deveria ter escolhido uma modelo plus size mais conveniente para a campanha. Ah, e antes que alguém venha me acusar de promover a “ditadura das curvas”, eu explico: MODELO precisa ter curvas, sim. Eu disse mo-de-lo. Mulher comum é outro assunto. Não concordo com o ideal utópico de beleza que muitos pregam por aí. A beleza sem critério torna-se vazia.

Já o calendário da marca de beachwear Swimsuitsforall acertou em cheio na sua reimaginação da edição de aniversário da revista Sports Illustrated. A famosa edição em que as modelos aparecem em trajes de banho. Até o tema do calendário ficou show: sexy at every curve. Ou seja, sexy em cada curva. A palavra CURVA traz mais significados positivos do que forma. Entre as quatro modelos que estrelam o calendário, está a top Robyn Lawley. Ela é aquela que não é plus size mas o mercado insiste em colocá-la na categoria “tamanho grande”. Como já falei anteriormente, o mercado precisa criar o meio termo urgente. Pra finalizar, o texto foi ilustrado apenas por uma imagem do belíssimo calendário, porém, abaixo está o link com todas as fotos. Enjoy!

Link das fotos: http://tinyurl.com/nzusxmp

AGORA É QUE SÃO ELAS

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O documentário A PERFECT 14 aborda o movimento plus size e seus desdobramentos no meio social e midiático. Vale lembrar que o tamnho 14 é o 46 aqui no Brasil. O documentário é estrelado por três modelos plus size que, por sua vez, falam sobre suas histórias e desafios diante do padrão de beleza vigente. Esse movimento, como já sabemos, faz uma ruptura necessária com o ideal de beleza imposto pela moda e sociedade. Nisso, o documentário abre espaço para o debate da diversidade da beleza e seu reflexo na atualidade. Diversidade sempre é bem vinda.

Elly Mayday é uma das modelos que estrelam o projeto. Sem dúvida, a mais curvilínea das três. Ela teve um contrato interrompido com uma grande agência por causa de uma descoberta trágica: um raro câncer de ovário. Por isso, enfrentou um tratamento que tornava seu peso instável e a consequente perda de cabelo. Um episódio triste que a gente espera que passe logo. Já Kerosene Deluxe revelou que teve uma infância traumatizante até se tornar atualmente uma porta-voz contra o bullying e a gordofobia. E finalmente temos Laura Wells. O rosto – e corpão! – mais famoso do documentário. A modelo australiana já é top no universo plus size. No entanto, ela e Robyn Lawley, são duas modelos australianas lindíssimas que não têm nada a ver com o biotipo das gordinhas. Elas são criticadas inúmeras vezes por não pertencer a “nenhum” padrão de beleza conhecido e, assim, jogadas no limbo do mercado. Eu já falei sobre essa polêmica em textos anteriores e, vez ou outra, volto a falar sobre isso de novo.

O documentário ainda não está pronto e precisa da colaboração do público para levantar fundos para a pós-produção. Abaixo, deixo o link da página do projeto (e vejam o trailer lá) para os interessados pela obra. O documentário é uma boa iniciativa para tratar questões como a percepção da imagem corporal, a falta da diversidade em revistas e campanhas e, sobretudo, a definição apropriada do termo plus size. Vamos aguardar então.

Link do projeto: https://www.indiegogo.com/projects/a-perfect-14

OS TERMOS EQUIVOCADOS DO PLUS SIZE

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Há muitos termos equivocados no movimento plus size. Vou começar pelo maior de todos: o termo MULHERÃO. Acredito que o termo pode ser utilizado no sentido figurativo e genuíno. No figurativo, mulherão é qualquer mulher exuberante e curvilínea. Já no sentido mais apropriado, mulherão é o meio termo. Em suma, é o tipo que está entre as magras e as gordinhas. Mulherão, ao meu ver, é a peça que falta para o mercado de moda e público entender melhor os três biotipos femininos. Se a gente considerar apenas dois biotipos, como muitos fazem, então vamos ter uma noção de beleza polarizadora onde só existem magras e gordinhas. Com o mulherão inserido no cenário, tudo fica mais diversificado. O que causa estranheza é que o mulherão também veste “tamanho grande”, o que causa, compreensivelmente, confusão e revolta entre as gordinhas que não se veem representadas por modelos como Robyn Lawley e Maria Luiza Mendes. Por isso, é fundamental considerar a existência dos três biotipos.

Outro termo equivocado é o MULHERES REAIS. Esse termo é muito difundido no meio plus size para apontar as mais cheinhas – incluindo aí, marcas visíveis de celulite e estrias. Então as outras mulheres não são reais? As magras também não têm celulite? As magras são irreais? Eu fico imaginando como as magras se sentem vendo esse termo sendo usado exclusivamente pelas gordinhas. Todas as mulheres têm sinais de “imperfeições” ou gostariam de mudar alguma parte do corpo. Portanto, não existe mulher mais real do que outra. O termo certo seria “mulheres exuberantes”. Aí sim teríamos uma classificação correta para as mulheres voluptuosas e com curvas acentuadas. O corpo precisa ser tratado de forma mais objetiva.

Já notei também que o termo AUTOESTIMA ganha um status de transformação quase mágica para as gordinhas que querem se aceitar como gostariam. OK, autoestima é legal e precisa ser estimulada mesmo. Mas vale lembrar que ela não opera milagres. Uma gordinha pode ter a maior autoestima possível, mas isso não vai fazer o seu corpo mudar do tipo maçã para o pera, ou pera para o ampulheta. O movimento plus size precisa baixar essas bandeiras utópicas e encarar o corpo como ele é de fato. Autoestima é o bem-estar com o corpo e não a transformação dele. Seguindo essa linha de pensamento, encontra-se a máxima de que a beleza vem em todas as formas e tamanhos. Não é. Esse é outro pensamento utópico sustentado por pessoas que não entendem a diferença entre corpo com curvas e sem curvas – ou forma e tamanho, pra ser mais exato. Pior ainda, quem defende essa visão são os mesmo que seguem a causa da “curvy beauty” – termo em inglês para a beleza com curvas. Assim, eles se contradizem e ainda confundem o seu público. A minha proposta: deixar de lado o corpo idealizado e valorizar mais as curvas. Isso sim é atitude de mulher bem resolvida.

A NOVA FASE DE RENATA CELIDONIO

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Em 15 de Janeiro de 2012, eu divulguei um texto exaltando toda a gostosura de Renata Celidonio. Na época, ela interpretava a Marieta, na novela AQUELE BEIJO. Eu me lembro perfeitamente da primeira vez que eu a vi na TV: eu estava no quarto quando a minha mãe me chamou depressa pra eu ir até lá ver uma mulher com “quadris enormes”. Foi um grande impacto. Eu semprei adorei mulheres com quadris largos, e ela, sem dúvida alguma, era uma figura icônica dessa categoria. Acho que nunca vi nada parecido na mídia até então. Eu não poupei palavras para descrevê-la no texto de 2012: não havia “precedentes na história da TV brasileira”; a “oitava maravilha do mundo”; um “fenômeno”; a “Vênus de 150 cm de quadris”...

Pra mim, pera é hot. Renata Celidonio era um exemplo disso. O corpo tipo pera dela conquistou uma legião de fãs: mulheres que procuravam um símbolo pra firmar a sua autoestima e homens que buscavam uma musa plus size pra cultuar. Vale lembrar que a ideia de ela se tornar uma modelo plus size na trama da novela foi minha – os outros fãs promoveram a proposta no Twitter. De fato, ela representava uma beleza que não se mede em números ou peso. Renata era visivelmente curvilínea, portanto, todo o seu sobrepeso era traduzido em gostosura. Por outro lado, os detratores diziam que tudo aquilo era pura e simplesmente apologia da obesidade. OK, sabemos que existe a questão da saúde e que ela enfrentava problemas no dia a dia, como sentar-se em cadeiras de cinema e avião e dores nos joelhos. Ainda assim, uma mulher importante na causa da Beleza Exuberante.

Mas o tempo passou e ela perdeu 64 kg. E vai perder mais. A nova fase dela dividiu os fãs: alguns aprovaram, mas outros (a maioria do público masculino, entenda-se!) sentiram-se traídos. Eu fui um deles. Afinal, a nossa grande musa caiu (quase) no lugar-comum. Agora, ela só é notícia quando se fala na peça teatral ou perda de peso. Não era isso que eu e os outros fãs mais entusiasmados imaginaram pra ela. Nossa musa da gostosura deu lugar para a “mulher preocupadíssima em perder peso cada vez mais”. Uma pena. Pra acalmar os ânimos, ela revelou recentemente que não pretende atingir a (horrível e broxante) Barriga Negativa e nem exibir um corpo estilo Panicat. Ainda bem, se não corria o risco de ela estampar a capa da Boa Forma. Aí sim seria o desligamento total com o movimento plus size. Mais eu ainda gosto dela. No momento, estou cultuando outras mulheres espetaculares – mas ela tá deixando muita saudade.

A MÍDIA E OS OUTROS PADRÕES DE BELEZA

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O texto da imagem acima, diz: “deixe o seu problema de peso aqui”. Como se o problema todo fosse apenas as revistas que pregam um determinado biotipo. Os radicais vão além: responsabilizam toda a mídia pela infelicidade causada às mulheres que não se enquadram no tipo magra-saudável-feliz. Será que os críticos estão certos quando apontam a mídia como a única vilã de toda essa história? Não. A história é mais abrangente do que eles pensam. Eu, particularmente, sempre achei esse negócio de atacar a mída algo meramente ideológico. Nunca caí nessa.

A verdade é que sempre houve padrões de beleza. O corpo perfeito já era idealizado muito antes do surgimento da grande mídia e sua abordagem comercial do assunto. Os antigos gregos apontavam a Vênus Calipígia como o grande ideal de beleza feminina. Só pra constar: calipígia significa “belas nádegas”. Sim, os gregos adoravam um bumbum atraente bem antes dos brasileiros. O que dizer então das gordinhas sensuais do pintor Peter Paul Rubens? No século XVII, as gordinhas eram retratadas como símbolos da alta sociedade e da aparência saudável. Nesse tempo, não existia a patrulha politicamente correta para acusar Rubens de promover a obesidade e muito menos pessoas pra defender a causa plus size.

Foi apenas no século XX que as mulheres magras surgiram como exemplos de emancipação financeira e ícones de beleza. Portanto, os padrões de beleza precederam a mídia – pelo menos a mída como entendemos hoje. Nesse momento está surgindo um novo ideal de beleza que nasceu dos excessos de musculação nas academias. Agora todas querem ter a barriga negativa pra exibir no Instagram. A chamada “magreza musculosa” é a versão reformulada (e anabolizada!) da Top Model magérrima que a academia adotou e que, agora, influencia os meios de comunicação e a autoestima das mulheres. Cedo ou tarde, esse vai ser o novo padrão de beleza adotado pela mída porque essa tendência já está consolidada. Então sair por aí culpando a mídia pelos transtornos causados na autoimagem é bobagem. Não existe mais comunicação unilateral: a gente influencia a mída e vice-versa. O X da questão somos nós.