Tempo de Maxibeleza

Ricardo Allexxandhry | estudante de publicidade e expert em padrões de beleza e comportamento | contato: ricardoallexxandhry@ig.com.br

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ESTRIAS TIPO OSTENTAÇÃO

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Finalmente duas mães americanas resolveram criar no Instagram o perfil @loveyourlines. Um espaço para mostrar (e compartilhar) fotos de mulheres com estrias. Sim, ESTRIAS. O perfil recebeu mais de 70 imagens e depoimentos de mulheres que eviaram suas fotos. Na contramão das mulheres que simplesmente abominam essas marcas do corpo, o @loveyourlines busca promover a aceitação do próprio corpo.

Afinal, as mulheres reais têm estrias, celulite e flacidez, diferente, portanto, das imagens retocadas digitalmente de modelos e atrizes. O Instagram das estrias apresenta a realidade do dia a dia.

Eu até acho algumas estrias sexy – tô falando sério! O problema, claro, é quando levantam a bandeira do excesso, aí a coisa já não é mais sexy. O fato é que esse perfil é fundamental na busca pelo próprio espaço e autoestima das mulheres que não se encaixam no padrão de beleza vigente.

Esse perfil segue a mesma linha do Tumblr da barriga positiva – ambos mostram alguma parte do corpo que até então era duramente monosprezada. O Tumblr das barrigas salientes surgiu como uma antítese à ostentação da barriga negativa iniciada pela top Candice Swanepoel. Infelizmente o Tumblr durou apenas três meses (!!), mas foi importante para provar que existe beleza além das magérrimas modelos da Victoria’s Secret.

Recentemente, uma canadense, mãe de cinco filhos, foi hostilizado na praia por um grupo de jovens preconceituosos. Ela se sentiu tão mal com o episódio que decidiu desabafar através do seu perfil no Facebook. A postagem dela foi um sucesso de compartilhamento. Como podemos notar, o perfil @loveyourlines veio na hora certa.

Além disso, esse perfil me deu uma outra ideia: por que não criar um só para os bumbuns grandes? Sim, o bumbum grande também é bastante hostilizado assim como as estrias. Até porque, no Brasil, esse perfil seria mais do que conveniente. O momento é de muita ostentação.

Link do Instagram: http://instagram.com/loveyourlines

O IMPACTO DA NORMALIDADE

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O filme SOB A PELE é ótimo. Na trama, Scarlett Johansson vive uma alienígena disfarçada de humana que tem um propósito sinistro aqui na terra. Ela aborda vários homens nas ruas da Escócia e os leva para um local que serve de “armadilha” pra suas vítimas. Assim, ela consegue capturar inúmeros homens – afinal, é difícil mesmo resistir a uma mulher tão linda quanto ela. As cenas de morte são memoráveis e expressam uma estranha beleza. O filme tem poucos diálogos, mas podemos compreender as transformações que a personagem passa ao longo da trama.

Mas eu quero partir logo para a grande estrela do filme: o corpo da atriz. As cenas de nudez dela foram divulgadas na web causando enorme polêmica. Foi inacreditável saber que muitas detonaram o corpo comum da atriz partindo para os surrados clichês: “gorda”, “seio caído”... e outras alfinetadas sem cabimento. Na época das fotos, eu não me manifestei pois queria ver o filme pra tirar minha própria conclusão óbvia: não há nada de errado com o corpo dela, as mulheres é que se espantam com tamanha normalidade. Hoje, a normalidade se tornou estranha, exótica, incompreensível, de “outro mundo” – como, afinal, é a protagonista do filme.

Acho que as recalcadas de plantão queriam mesmo que ela tivesse o corpo do tipo bombado, saradíssimo. Algo parecido com o das aficionadas por academia ou das entusiastas pela magreza musculosa da top Izabel Goulart. Não. Scarlett (e o diretor do filme) não seguiu a cartilha do padrão fitness tão idolatrado pelas mulheres do Brasil. Pelo visto, a alienígena que escolheu o corpo da Laura/Scarlett tinha bom gosto. Ela preferiu a leveza e a suavidade característicos do corpo feminino como arma de sedução em detrimento da musculatura de levantador de peso. Escolha sensata. Fit girls, durmam com isso! 

MULHERES CONTRA O PRECONCEITO

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A reação ao resultado de uma pesquisa nacional sobre estupro tomou conta das redes sociais. Uma reação compreensível. Na pesquisa, 65% dos participantes responderam que mulher que usa roupa curta merece ser atacada. Pior: mais da metade dos entrevistados eram mulheres! Sim, parece surreal. A revelação dessa pesquisa foi tão bombástica que muitos contestam a metodologia utilizada pelo IPEA. Polêmicas à parte, difícil tolerar a mentalidade misógina e preconceituosa que vemos no dia a dia.

Em resposta, a jornalista Nana Queiroz criou a campanha bem-sucedida eu não mereço ser estuprada, atraindo, assim, a adesão de pessoas revoltadas com esse caso. Até as editoras da revista NOVA tiraram a roupa e apoiaram a causa (foto). Muitos homens indignados também levantaram a bandeira da vítima (mulher) em detrimento do agressor (estuprador). Eu não divulguei uma foto para a causa (não sou fotogênico!), mas deixo este meu texto em solidariedade às mulheres que lutam contra o preconceito e a discriminação.

A vida das mulheres não tá fácil: depois de casos recentes do “pornô de vingança”, dos encoxadores; agora, como se não bastasse, elas têm que enfrentar o pensamento de que elas próprias são responsáveis por sofrerem abusos sexuais. Quem manda elas serem tão atraentes né? Enquanto na Arábia Saudita, a controvérsia gira em torno do make delas; aqui, num país democrático, são as roupas “provocativas” que estimulam o assédio. Não, nada disso é justificável. Vamos dá um basta na cultura machista de uma vez.