Tempo de Maxibeleza

Ricardo Allexxandhry | estudante de publicidade e expert em padrões de beleza e comportamento | contato: ricardoallexxandhry@ig.com.br

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O SEXO É O NOVO ROMANCE

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Achei legal um artigo publicado no portal FFW falando sobre a onda da sensualização a que passamos atualmente. O autor ficou com a impressão que o amor romântico, idealizado, impossível tá meio over, o negócio agora é sensualizar de vez. Ser (ou parecer) sexy é a nova atitude para chamar a atenção do outro. O arquétipo da Cinderela parece que não desperta mais fascínio; elas querem mesmo bancar a femme fatale.

A sensualidade já domina a moda, arte, livros e entretenimento. O sucesso de romances apimentados como CINQUENTA TONS DE CINZA e JULIETTE SOCIETY confirma essa tendência. O príncipe encantado agora curte fetichismo e explora novos prazeres com a sua companheira.

O mundo despertou de vez para o fetiche.

O artigo lembrou que os tops curtos eram encarados como vulgares, mas hoje domina o cenário urbano. A peça se tornou basicamente um novo clássico. O mesmo fenômeno ocorreu com o lifestyle pregado pelas academias: leggings e recortes ousados ganharam as ruas e todas agora querem posar de fit girl.

Claro que o corpo ocupa uma posição fundamental nessa nova abordagem. O tipo mulherão, com bumbum grande e curvas acentuadas, é o novo must have da mulherada. Só assim para explicar a profusão de selfies mostrando corpos em forma no Instagram. Sem falar da belfie (a foto do bumbum) que já domina o perfil de muitas usuárias.

O corpão virou extensão do look.

A própria Vogue decretou: “we’re officially in the era of the big booty”. Vivemos a década do bumbum grande e nada melhor do que fazer twerking para celebrar essa tendência. Nesse novo cenário, todos querem ser sexy e desejados o tempo todo – ainda que seja só por uma foto mais sensual postada no Instagram. O sexo é o novo romance.

ESTRIAS TIPO OSTENTAÇÃO

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Finalmente duas mães americanas resolveram criar no Instagram o perfil @loveyourlines. Um espaço para mostrar (e compartilhar) fotos de mulheres com estrias. Sim, ESTRIAS. O perfil recebeu mais de 70 imagens e depoimentos de mulheres que eviaram suas fotos. Na contramão das mulheres que simplesmente abominam essas marcas do corpo, o @loveyourlines busca promover a aceitação do próprio corpo.

Afinal, as mulheres reais têm estrias, celulite e flacidez, diferente, portanto, das imagens retocadas digitalmente de modelos e atrizes. O Instagram das estrias apresenta a realidade do dia a dia.

Eu até acho algumas estrias sexy – tô falando sério! O problema, claro, é quando levantam a bandeira do excesso, aí a coisa já não é mais sexy. O fato é que esse perfil é fundamental na busca pelo próprio espaço e autoestima das mulheres que não se encaixam no padrão de beleza vigente.

Esse perfil segue a mesma linha do Tumblr da barriga positiva – ambos mostram alguma parte do corpo que até então era duramente monosprezada. O Tumblr das barrigas salientes surgiu como uma antítese à ostentação da barriga negativa iniciada pela top Candice Swanepoel. Infelizmente o Tumblr durou apenas três meses (!!), mas foi importante para provar que existe beleza além das magérrimas modelos da Victoria’s Secret.

Recentemente, uma canadense, mãe de cinco filhos, foi hostilizado na praia por um grupo de jovens preconceituosos. Ela se sentiu tão mal com o episódio que decidiu desabafar através do seu perfil no Facebook. A postagem dela foi um sucesso de compartilhamento. Como podemos notar, o perfil @loveyourlines veio na hora certa.

Além disso, esse perfil me deu uma outra ideia: por que não criar um só para os bumbuns grandes? Sim, o bumbum grande também é bastante hostilizado assim como as estrias. Até porque, no Brasil, esse perfil seria mais do que conveniente. O momento é de muita ostentação.

Link do Instagram: http://instagram.com/loveyourlines

CORPO EM EVIDÊNCIA

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O ENGAJAMENTO das blogueiras fitness é surpreendente: livros lançados, dietas específicas e exibição constante do corpo no Instagram. Essa última parte é o exemplo máximo de que elas não brincam com os seus ideais. Mas infelizmente o movimento plus size está longe de alcançar esse pragmatismo. Enquanto o padrão fitness mostra as ostentações relacionadas ao corpo de suas seguidoras; o universo plus size, por sua vez, tem um discurso fraco, apoiado no idealismo e numa linguagem distante do corpo real. Vale lembrar que não estou generalizando.

Nesse cenário de contrastes, nota-se uma disputa sem fim entre fisicalidade e idealismo. As saradíssimas se utilizam da FISICALIDADE para exprimir os seus valores que são traduzidos em corpos atléticos, treinos pesados e exibição constante do seu lifestyle. Uma verdadeira lição de engajamento naquelas que acreditam que beleza é apenas um estado de espírito. Não é. Essa confusão de termos só faz perder espaço para as fit girls que não perdem a chance de ostentar o CORPO nas redes sociais. Não estou querendo dizer que se deve seguir o perfil anabolizado das academias – isso jamais! Mas, sim, aprender as táticas de engajamento delas. O corpo como valor tangível.

O mais irônico, portanto, é que o movimento plus size ganhou notoriedade com a pregação da diversidade, mas agora tá vendo as saradas roubarem a cena. Não podemos deixar assim. É preciso difundir a ideia de que o excesso de gostosura é o máximo. Precisamos mostrar mais a maxibeleza nas redes sociais, no Instagram e em qualquer lugar. Temos que mostrar o verdadeiro valor das curvas, da exuberância. A atitude de uma gordinha (ou mulherão) que tira uma foto do corpo porque se aceita assim mesmo, é sinal de que é bem resolvida e um bom exemplo para as demais. Diz-se que a beleza não se mede em números, mas, às vezes, os números são mais sinceros do que qualquer discurso surrado. Em tempo de superexposição da imagem, o corpo tem um papel fundamental na propagação de valores.

ENTRE UM BELFIE E OUTRO

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Mas é claro que eu não poderia deixar de falar do fenômeno dos belfies. Belfie é a junção das palavras butt (bumbum) e selfie. Ou seja, a foto do bumbum. O belfie é a nova tendência das redes sociais e, celebridades como Kim Kardashian e Nicki Minaj, já aderiram ao movimento. Aliás, o belfie de Kim Kardashian já se tornou uma imagem icônica (foto). Na imagem, ela usou um sensualíssimo maiô branco que evidenciou ainda mais o seu incrível bumbum. Kim é um símbolo máximo do derrière avantajado que tá ganhando grande repercussão nos EUA. O bumbum dela tem um poder midiático tão forte que até o Miss Bumbum Brasil cogitou convidá-la para participar do evento. Minha torcida, claro, ia pra Kim já que a maioria das candidatas ostentam o biotipo atlético. Eu prefiro o selo Kardashian de exuberância.

Vale lembrar que os selfies já ganharam inúmeras versões: o healthie é a tão cultuada (e sem graça) foto na academia ou fazendo poses de ioga. Modalidade esta que já se tornou o lifestyle absoluto de muita gente. Mas sem dúvida, o belfie é o melhor de todos – isso quando as fit girls não roubam a cena. Digo isso porque muita gente acha que o potencial do bumbum só acontece quando ele tá “em forma” ou saradíssimo. Não mesmo.

Outra coisa chata que temos que enfrentar é o discurso moralista e intelectualóide sobre os belfies. Pra essa turma, esse fenômeno é mais um atestado da futilidade a que chegamos. Ah, sei, então os antigos gregos também eram fúteis já que adoravam as curvas de uma calipígia. Tirando os chatos de cena, o belfie deixa uma lição sobre amar o corpo e elevar a autoestima das mulheres. E, pra isso, nada melhor do que um bom belfie no Instagram. Em tempo, uma pesquisa mostrou que a preocupação com o bumbum aumentou desde o fenômeno dos belfies. Assim, muitas se inspiram nas celebridades e procuram dar um upgrade na região glútea. Eu, um bundólatra confesso, tô adorando essa superexposição do bumbum feminino. Já diz o bordão: o que é bonito é pra se mostrar.

A ÁFRICA MOSTRA AS SUAS BELDADES

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Na África, beldade pode ser entendido como mulherão. Corpão mesmo. A beleza exuberante voltou a ser o grande hit do continente. Acho que sempre esteve presente – acontece que o mulherão ganhou recentemente uma repercussão sem precedentes nas redes sociais. Lá, tamanho é documento. Só assim para explicar o atual fenômeno dos blogs africanos: Matilda Quaye (foto). Matilda é natural de Gana, é estudante e modelo. Ela é popularmente conhecida como Matilda Hipsy. O termo “hipsy” é apropriado para mulheres que têm quadris largos. O dela, sem dúvida, é um monumento que merece ser tombado. É digna do selo “o maior quadril de Gana” – talvez até do continente inteiro! Matilda é um misto de mulherão e plus size. A musa curvilínea definitiva. E foi assim que ela se tornou uma celebridade instantânea na web, sem mesmo atuar ou cantar, apenas desfilando os quadris inacreditáveis no Instagram. Pois é, hips don’t lie.

Outro fenômeno recente na web é Corazon Kwamboka. O nome é estranho, mas ela é um ícone da beleza que tá no DNA da África. Essa mulher, da espécie gluteus maximus, é advogada, formada pela Universidade de Nairóbi. Depois da superexposição de suas curvas, é provável que se torne uma figura recorrente no showbiz do Quênia. Assim como Matilda, Corazon projetou o termo bootylicious a um novo status midiático. No Brasil, entretanto, já é um fenômeno bastante conhecido e que, logo, ganha estigma de periguetismo e “cultura descerebrada”. Na África, o derrière avantajado é um símbolo nacional. Corazon só precisa administrar melhor a sua imagem já que seu primeiro video de twerking recebeu uma saraivada de críticas. O motivo? Performance frustrante e um traje mínimo nada sexy. O segundo video melhorou, apesar da eterna insatisfação dos haters.

Só espero que essa temporada de curvas traga a participação de mais musas curvilíneas e que, as mulheres africanas, enfim, se sintam mais seguras com a autoimagem e o sobrepeso. Afinal, aceitar as curvas que tem pode ser mais satisfatório do que a busca desenfreada em perder peso. Matilda e Corazon são mulheres bem resolvidas que decidiram abraçar a beleza do bumbum grande, dos quadris largos e dos quilinhos extra. A curvy beauty chegou de vez na África. Abaixo, deixo o link do video que mostra as duas sambando na cara da sociedade careta que acha que felicidade é ostentar a barriga negativa.

Link do video: http://tinyurl.com/lnj4aab

DESCONSTRUINDO CAROL BUFFARA

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Carol Buffara é uma das mais badaladas blogueiras fitness do momento. Seu estilo de vida já inspirou mais de 250 mil seguidores que acompanham o seu lifestyle. Foi daí que surgiu a ideia do #projetocarolbuffara que norteou o conteúdo de seu blog e Instagram. Vale lembrar que outras tiveram um início semelhante. Gabriela Pugliesi, por exemplo, foi uma das precursoras da categoria fitness celebrities do Instagram. Michelle Franzoni que, realizou um extreme makeover na balança, também se firmou como musa fitness dando dicas de “alimentação saudável” e excesso de exercícios físicos. A tal da “alimentação saudável” está sob suspeita porque não existem provas de que ela funciona em qualquer metabolismo ou biotipo de suas seguidoras. Pior, podem trazer sérios problemas de saúde se não houver orientação adequada.

No livro que Carol lançou no Rio de janeiro, há dicas de alimentação funcional e a importância do consumo de romã, algas, brotos, amaranto, chia... só “guloseimas”, portanto. Revelou ainda que passou de frequentadora de academia a amante de esportes. E, claro, os temas clichês do combate às celulites e gorduras localizadas. Carol é do tipo que come iogurte zero – assim como o seu ideal de beleza também é zero. Ela é treinada por um expert em lutas (!!) que planeja as aulas com boxe, muay thai e treinamento funcional. E tudo isso pra quê? Com certeza, exibir orgulhosamente no instagram a barriga do He-Man. Vida de fit-girl não é fácil.

As seguidoras da hashtag #instafit elegem o corpo atlético como o mais ideal entre todos. O problema é que elas se preocupam tanto com o lado healthy das coisas que, intencionalmente, atropelam a estética do corpo feminino. Mas nem tudo tá perdido: mutos se revoltaram quando a Marie Claire classificou como “corpo perfeito” a magreza musculosa da top Izabel Goulart. Eu levanto a bandeira da silhueta exuberante como a que melhor representa o perfil da mulher brasileira. Cá entre nós, a impressão é que as musas fitness querem mudar o foco da nossa preferência nacional (o sensualíssimo bumbum grande) para a barriga negativa. Sim, isso pode acontecer se o outro lado não reagir. Aliás, cadê o movimento da barriga positiva e da love your body. O tipo mulherão precisa mostrar o seu valor, as gordinhas curvilíneas também. Até as magras podem provar que são lindas do jeito que são sem recorrer ao padrão fitness. Carol Buffara não é sexy, não representa a mulher comum. O corpo dela é um produto de academia, de personal trainers, de experts em lutas, de pessoas que não enxergam a verdadeira sensualidade que a mulher brasileira tem. Tá na hora de dá um basta nessa subversão de valores que elas estão promovendo. Xô, mau gosto!