Tempo de Maxibeleza

Ricardo Allexxandhry | estudante de publicidade e expert em padrões de beleza e comportamento | contato: ricardoallexxandhry@ig.com.br

Mostrando postagens com marcador academia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador academia. Mostrar todas as postagens

A INSUPERÁVEL LEVEZA DA FEMINILIDADE

Posted by on | | 0 comentários

Já escrevi um texto em que abordava a crise das curvas. Mas, pensando bem, não é exatamente o declínio das curvas que ando percebendo. A questão é mais profunda. Dia desses, bateu de novo a nostalgia pelos anos 90, então, fui ver (pela enésima vez) os videos no YouTube do grupo musical Banana Split. A formação que me marcou foi a de 1996, com a sensualíssima Liz Vargas. Alguém aí lembra-se dela? Ela era linda, sexy e tinha um corpão incrível. Depois de observar bem o corpo da Liz Vargas, cheguei a uma conclusão: as mulheres de hoje estão deixando de lado a LEVEZA típica do corpo feminino.

Eu explico melhor: o corpo da Liz Vargas era suave, discreto, privilegiado pela sua própria genética. Mas hoje, tudo mudou – infelizmente. O corpo das panicats e congêneres, são explicitamente modelados por exercícios pesados em academias. A barriga negativa (ou musculosa) tá em alta e ninguém quer parecer mais uma “mulherzinha” da década de 90. Então quando comparamos a Liz Vargas a uma panicat, fica claro que a leveza típica do corpo da mulher é coisa do passado.

Recentemente fiquei horrorizado com as novas candidatas do concurso Miss Bumbum. O concurso é pura e simplesmente um miss fitness pra aficionados por academia ver. Esse concurso está disvirtuando a gostosura do bumbum da mulher brasileira. Eles estão difundindo uma versão “agressiva” e anabolizada do bumbum. Pra mim, um atentado contra o bom senso. Eu prefiro o tipo “mulherzinha” de uma Liz Vargas às saradíssimas que se orgulham empurrando pneu de trator. Mas nem tudo está perdido: a diversidade tá aí pra resgatar tipos como a Liz Vargas. Menos suco verde, mais banana split. 

CORPO EM EVIDÊNCIA

Posted by on | | 0 comentários

O ENGAJAMENTO das blogueiras fitness é surpreendente: livros lançados, dietas específicas e exibição constante do corpo no Instagram. Essa última parte é o exemplo máximo de que elas não brincam com os seus ideais. Mas infelizmente o movimento plus size está longe de alcançar esse pragmatismo. Enquanto o padrão fitness mostra as ostentações relacionadas ao corpo de suas seguidoras; o universo plus size, por sua vez, tem um discurso fraco, apoiado no idealismo e numa linguagem distante do corpo real. Vale lembrar que não estou generalizando.

Nesse cenário de contrastes, nota-se uma disputa sem fim entre fisicalidade e idealismo. As saradíssimas se utilizam da FISICALIDADE para exprimir os seus valores que são traduzidos em corpos atléticos, treinos pesados e exibição constante do seu lifestyle. Uma verdadeira lição de engajamento naquelas que acreditam que beleza é apenas um estado de espírito. Não é. Essa confusão de termos só faz perder espaço para as fit girls que não perdem a chance de ostentar o CORPO nas redes sociais. Não estou querendo dizer que se deve seguir o perfil anabolizado das academias – isso jamais! Mas, sim, aprender as táticas de engajamento delas. O corpo como valor tangível.

O mais irônico, portanto, é que o movimento plus size ganhou notoriedade com a pregação da diversidade, mas agora tá vendo as saradas roubarem a cena. Não podemos deixar assim. É preciso difundir a ideia de que o excesso de gostosura é o máximo. Precisamos mostrar mais a maxibeleza nas redes sociais, no Instagram e em qualquer lugar. Temos que mostrar o verdadeiro valor das curvas, da exuberância. A atitude de uma gordinha (ou mulherão) que tira uma foto do corpo porque se aceita assim mesmo, é sinal de que é bem resolvida e um bom exemplo para as demais. Diz-se que a beleza não se mede em números, mas, às vezes, os números são mais sinceros do que qualquer discurso surrado. Em tempo de superexposição da imagem, o corpo tem um papel fundamental na propagação de valores.

DESCONSTRUINDO CAROL BUFFARA

Posted by on | | 0 comentários

Carol Buffara é uma das mais badaladas blogueiras fitness do momento. Seu estilo de vida já inspirou mais de 250 mil seguidores que acompanham o seu lifestyle. Foi daí que surgiu a ideia do #projetocarolbuffara que norteou o conteúdo de seu blog e Instagram. Vale lembrar que outras tiveram um início semelhante. Gabriela Pugliesi, por exemplo, foi uma das precursoras da categoria fitness celebrities do Instagram. Michelle Franzoni que, realizou um extreme makeover na balança, também se firmou como musa fitness dando dicas de “alimentação saudável” e excesso de exercícios físicos. A tal da “alimentação saudável” está sob suspeita porque não existem provas de que ela funciona em qualquer metabolismo ou biotipo de suas seguidoras. Pior, podem trazer sérios problemas de saúde se não houver orientação adequada.

No livro que Carol lançou no Rio de janeiro, há dicas de alimentação funcional e a importância do consumo de romã, algas, brotos, amaranto, chia... só “guloseimas”, portanto. Revelou ainda que passou de frequentadora de academia a amante de esportes. E, claro, os temas clichês do combate às celulites e gorduras localizadas. Carol é do tipo que come iogurte zero – assim como o seu ideal de beleza também é zero. Ela é treinada por um expert em lutas (!!) que planeja as aulas com boxe, muay thai e treinamento funcional. E tudo isso pra quê? Com certeza, exibir orgulhosamente no instagram a barriga do He-Man. Vida de fit-girl não é fácil.

As seguidoras da hashtag #instafit elegem o corpo atlético como o mais ideal entre todos. O problema é que elas se preocupam tanto com o lado healthy das coisas que, intencionalmente, atropelam a estética do corpo feminino. Mas nem tudo tá perdido: mutos se revoltaram quando a Marie Claire classificou como “corpo perfeito” a magreza musculosa da top Izabel Goulart. Eu levanto a bandeira da silhueta exuberante como a que melhor representa o perfil da mulher brasileira. Cá entre nós, a impressão é que as musas fitness querem mudar o foco da nossa preferência nacional (o sensualíssimo bumbum grande) para a barriga negativa. Sim, isso pode acontecer se o outro lado não reagir. Aliás, cadê o movimento da barriga positiva e da love your body. O tipo mulherão precisa mostrar o seu valor, as gordinhas curvilíneas também. Até as magras podem provar que são lindas do jeito que são sem recorrer ao padrão fitness. Carol Buffara não é sexy, não representa a mulher comum. O corpo dela é um produto de academia, de personal trainers, de experts em lutas, de pessoas que não enxergam a verdadeira sensualidade que a mulher brasileira tem. Tá na hora de dá um basta nessa subversão de valores que elas estão promovendo. Xô, mau gosto!

O VALE-TUDO PRA VIRAR MUSA FITNESS

Posted by on | | 0 comentários

A ordem é suar a camisa pra se tornar uma musa fitness. O barato agora é ter o corpo mais sarado do que as outras. Não é mais nenhum mistério que as mulheres estejam tratando o corpo como já fazem com a roupa: uma disputa entre elas mesmas. Se elas passam por um homem, e ele assovia, é sinal de que elas estão “gordas”. Elas não querem mais pagar de voluptuosas ou curvilíneas. Afinal, o que elas querem então? Atingir, enfim, o status de saradíssima da academia mais badalada do bairro. Pra estas, os homens só entendem de celulite, estrias e flacidez. A opinião masculina deixou de ser importante há muito tempo. A mulherada quer ter o orgulho de exibir o risquinho lateral marcando bem o músculo da coxa. Aliás, a minha coxa é de Cinderela perto delas!

Não é nenhuma surpresa que a barriga negativa tornou-se o símbolo máximo do desejo feminino. Uma it bag da Chanel perde feio. A barriga zero das angels da Victoria’s Secret é o novo must have do mulherio. Mas ainda bem que nem todas têm o metabolismo de uma Candice Swanepoel – e elas estão arrancando os cabelos de raiva por isso! Mas elas não perdem o ânimo. Ingressar em uma disciplina militar pra queimar calorias (e detonar a suavidade do corpo feminino também!) é a grande tendência entre as mulheres bombadas. Tudo é válido pra isso: aulas de muay thai, funcional e crossfit. Além, claro, de suplementos variados e naturebices como chia e suco verde. O resultado é um corpo rústico com barriga e pernas masculinizadas. Corpo nota zero.

O pior é que muitos homens estão indo na onda das mulheres-bomba. Duvida? Em 2010, a ex-panicat Juju Salimeni foi eleita a mulher mais sexy do mundo pelos leitores da VIP. As saradíssimas não estão nem aí pra opinião deles: exercícios exagerados e alimentação sem graça é pra disputar quem posta a foto da barriga mais negativa no Instagram. Tudo o que elas desejam é atingir uma musculatura de levantador de peso. Eu não concordo com esse ideal de beleza, acho horrível, de mau gosto. E digo mais: a verdadeira essência do corpo feminino é a suavidade e não a agressividade do corpo musculoso que elas querem tanto. O fator genético determina se a mulher é incrível – e não é tratamento estético ou academia que mude isso. Da próxima vez, vale ouvir a opinião do sexo oposto.

CURVAS EM CRISE

Posted by on | | 0 comentários

Já notaram que as mulheres não glorificam as curvas como deveria? Sério. É só parar pra pensar nos ícones de beleza dos anos 60 pra cá: a magérrima Twiggy; Farrah Fawcett, da malhação; Cindy Crawford e Gisele Bündchen, das passarelas e finalmente as mulheres anabolizadas das academias de hoje. Ou seja: todas as mulheres que eu citei não são reconhecidas por ser um exemplo de curvilínea irresistível – mas sim pelo excesso de magreza e músculos inflados. Eu sei que as top models brasileiras que se destacam no exterior não são tão esquálidas assim, mas estão longe de ter um biotipo de uma Ellen Rocche ou Cacau Colucci. A moda tradicional detesta gostosura.

Até parece que falar de curvas e exuberância são assuntos exclusivamente masculino ou coisa de periguete. Acho que as mulheres estão fazendo com o corpo o mesmo que já fazem com as roupas: uma competição acirrada entre elas. Elas querem ser mais magras e, assim, olhar com desdém o bumbum grande da outra. Ou pior: tentam ser mais anabolizadas do que as outras correndo o risco de se tornarem mais masculinizadas do que os próprios homens! Músculos por músculos, e não vai haver mais feminilidade no mundo.

Mulheres, parem já com isso! Sejam vocês mesmas, abracem as suas curvas, a sua exuberância. Vocês são lindas e, por isso, não precisam se matar em academias levantando pesos exorbitantes. O período de crise das curvas precisa acabar! Sejam a melhor definição de curvilínea.