Tempo de Maxibeleza

Ricardo Allexxandhry | estudante de publicidade e expert em padrões de beleza e comportamento | contato: ricardoallexxandhry@ig.com.br

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POR UMA BELEZA MAIS REAL

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Quando o assunto é diversidade, eu já notei, especificamente dentro do movimento plus size, um vício por termos poéticos, idealistas ou qualquer coisa que passe longe do corpo real. Dá a impressão que falar do corpo é uma tarefa difícil ou até mesmo incompreensível. Dessa maneira, se instala um verdadeiro festival de equívocos: todo mundo é bonito, toda mulher é curvilínea e padrão de beleza é uma criação da mídia opressora com o propósito de destruir a sua autoestima. Sim, muitos pensam – e pregam isso por aí.

Eu já tinha comentado aqui que padrão de beleza é um fenômeno que passa por épocas e culturas diferentes. Portanto, não é invenção da mídia como muitos alarmistas acham. Não tenha dúvida que se o ideal de beleza do século XX fosse a mulher gordinha, obviamente a mídia apoiaria a causa. Agora mesmo podemos testemunhar a ascensão do padrão fitness e, naturalmente, esse assunto vai ganhar ainda mais destaque nos meios de comunicação. O que estou querendo dizer é que devemos abandonar o “basta fechar os olhos e deixar a autoestima operar milagres” para um melhor entendimento dos biotipos e o que cada um tem de melhor. Assim, a bandeira da diversidade deixa de lado o corpo idealizado e abraça o real.

Não devemos jogar o conceito de beleza no campo utópico só pra agradar aqueles que não têm. Caso contrário, a beleza vai entrar em rota de colisão com a saúde e o bom-senso. Não à toa, muitos acham que o movimento plus size não passa de apologia descarada da obesidade. Não é, mas os idealistas se mostram perdidos nesse assunto. Eu sou o primeiro a dizer que a gordinha da foto que ilustra esse texto é lindíssima, mas aponto cada centímetro de gostosura pra fundamentar a minha opinião. Pra ser mais claro: mais corpo, menos poesia. Agora, se a linguagem poética é o forte de muita gente, talvez um romance sobre o tema seja mais viável. Vai que dá um best-seller!

OS TERMOS EQUIVOCADOS DO PLUS SIZE

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Há muitos termos equivocados no movimento plus size. Vou começar pelo maior de todos: o termo MULHERÃO. Acredito que o termo pode ser utilizado no sentido figurativo e genuíno. No figurativo, mulherão é qualquer mulher exuberante e curvilínea. Já no sentido mais apropriado, mulherão é o meio termo. Em suma, é o tipo que está entre as magras e as gordinhas. Mulherão, ao meu ver, é a peça que falta para o mercado de moda e público entender melhor os três biotipos femininos. Se a gente considerar apenas dois biotipos, como muitos fazem, então vamos ter uma noção de beleza polarizadora onde só existem magras e gordinhas. Com o mulherão inserido no cenário, tudo fica mais diversificado. O que causa estranheza é que o mulherão também veste “tamanho grande”, o que causa, compreensivelmente, confusão e revolta entre as gordinhas que não se veem representadas por modelos como Robyn Lawley e Maria Luiza Mendes. Por isso, é fundamental considerar a existência dos três biotipos.

Outro termo equivocado é o MULHERES REAIS. Esse termo é muito difundido no meio plus size para apontar as mais cheinhas – incluindo aí, marcas visíveis de celulite e estrias. Então as outras mulheres não são reais? As magras também não têm celulite? As magras são irreais? Eu fico imaginando como as magras se sentem vendo esse termo sendo usado exclusivamente pelas gordinhas. Todas as mulheres têm sinais de “imperfeições” ou gostariam de mudar alguma parte do corpo. Portanto, não existe mulher mais real do que outra. O termo certo seria “mulheres exuberantes”. Aí sim teríamos uma classificação correta para as mulheres voluptuosas e com curvas acentuadas. O corpo precisa ser tratado de forma mais objetiva.

Já notei também que o termo AUTOESTIMA ganha um status de transformação quase mágica para as gordinhas que querem se aceitar como gostariam. OK, autoestima é legal e precisa ser estimulada mesmo. Mas vale lembrar que ela não opera milagres. Uma gordinha pode ter a maior autoestima possível, mas isso não vai fazer o seu corpo mudar do tipo maçã para o pera, ou pera para o ampulheta. O movimento plus size precisa baixar essas bandeiras utópicas e encarar o corpo como ele é de fato. Autoestima é o bem-estar com o corpo e não a transformação dele. Seguindo essa linha de pensamento, encontra-se a máxima de que a beleza vem em todas as formas e tamanhos. Não é. Esse é outro pensamento utópico sustentado por pessoas que não entendem a diferença entre corpo com curvas e sem curvas – ou forma e tamanho, pra ser mais exato. Pior ainda, quem defende essa visão são os mesmo que seguem a causa da “curvy beauty” – termo em inglês para a beleza com curvas. Assim, eles se contradizem e ainda confundem o seu público. A minha proposta: deixar de lado o corpo idealizado e valorizar mais as curvas. Isso sim é atitude de mulher bem resolvida.